quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

No Brasil se pratica a modalidade de racismo mais perversa, insidiosa e letal, diz Dojival Vieira em entrevista







Por ALBERTO CASTROColaborador Internacional, Zwela AngolaLONDRES, INGLATERRA (ZWELA ANGOLA) - Os brasileiros geralmente se orgulham da sua sociedade multi-cultural que abraça harmoniosamente todas as pessoas, todas as raças. Os casamentos interraciais são comuns. A sua gastronomia, música e dança constituem um legado de centenas de povos indígenas, milhares de colonos portugueses e cerca de 4.5 milhões de africanos trazidos escravos ao país durante um período de mais de 350 anos de escravatura. Isso faz com que o Brasil seja hoje a casa da maior população afrodescendente fora de África. Mas, apesar de já serem maioria também no Brasil, os afrodescendentes (negros e pardos ou mulatos de diferentes tons de pele) ainda estão muito longe da tão propalada igualdade e democracia racial.Entre os muitos casos de racismo, diariamente praticados de forma abertamente violenta ou subtil, ganhou grande notoriedade e indignação o de Januário Santana, um humilde vigilante negro suspeito de roubar a própria viatura enquanto a estacionava. Foi, por isso, barbaramente agredido por seguranças de uma conhecida rede de supermercados em Sao Paulo.A defesa do caso Santana foi conduzida com sucesso por Dojival Vieira, advogado, jornalista e activista contra o racismo no Brasil. Ele nos explica como opera o estruturante racismo brasileiro e fala da sua dura batalha para o combater. Reconhece alguns avanços na administração Lula na luta pela igualdade racial mas olha-os como insuficientes e espera muito mais do governo de Dilma Rousseff sobre o assunto.Eis a entrevista:Como e por qDojival Vieira – Tornei-me um lutador social em primeiro lugar engajando-me na luta por transformações sociais no Brasil, no final da década de 70, ainda quando estudante de Comunicação, na Faculdade de Comunicação de Santos. Fui líder estudantil e, posteriormente, atuei nos movimentos populares contra a poluição, contra o desemprego, por moradias e demais condições de vida dignas, em Cubatão, cidade, considerada, à época, a mais poluída do mundo, onde morei até os anos 90 antes de me mudar para São Paulo.A consciência de que as transformações sociais no Brasil têm de passar necessariamente pela erradicação da desigualdade provocada pelo racismo é posterior. Ela surgiu a partir de 2001, quando compreendi que não é possível, no Brasil, falar-se em Democracia e Justiça Social, sem se enfrentar a profunda desigualdade resultante do facto de o país ter sido o último no mundo a abolir a escravidão e não ter – ao aboli-la – adotado medidas eficazes para garantir a inclusão da população que teve os seus antepassados escravizados por quase 400 anos.Qual a sua visão do racismo que se pratica no Brasil hoje em dia? Como ele se manifesta?D. V. - No Brasil se pratica a modalidade de racismo mais perversa, mais insidiosa e letal porque trata-se de um racismo camuflado que em circunstância nenhuma se assume. É como uma doença, que se esconde no corpo social e vai produzindo efeitos, a começar pela destruição da auto-estima da criança negra. É muito comum que uma pessoa quando flagrada em ato ou prática racista saia-se com a clássica afirmação: “Mas, como posso ser acusada, se o meu melhor amigo é negro?”. Trata-se de um álibi, frequentemente utilizado.Por ser “invisível”, silencioso, é mais difícil de ser combatido. Eu costumo dizer que o racismo no Brasil é como uma serpente muita perigosa, que é mantida num quarto escuro em que todos nós negros somos obrigados a viver. Enquanto não a tocamos, ela está lá. No momento em que a tocamos ou chegamos perto, ela nos ataca sem nenhuma piedade ou complacência. Por conta disso é muito comum ouvir-se, até mesmo de pessoas negras, que nunca foram discriminadas. Ou seja: essas pessoas nunca se sentiram discriminadas, simplesmente, porque passaram a conviver “pacificamente” com um inimigo que demarca os seus passos e limita as suas possibilidades de crescimento, ascenção e mobilidade social.Quem são os mais afetados com o racismo e por que razões?


D. V. - O racismo no Brasil é fruto de quase 400 anos de escravidão. O Brasil, além de ter sido o último país a abolir o trabalho escravo, foi também o país que mais seqüestrou homens e mulheres negros da África. De cada 10 dias da história do Brasil, sete foram vividos sobre escravidão. No pós-abolição as elites racistas optaram por “misturar”, “miscigenar” por meio de políticas de branqueamento implementadas pelo Estado desde o final do século XIX até a década de 40 do século passado.Essas políticas, propagandeadas por intelectuais, como Monteiro Lobato, um eugenista confesso, Oliveira Viana, e outros, advogavam a idéia de que o Brasil só se tornaria um país desenvolvido na medida em que adotasse como modelo a ascendência européia.Daí, o Estado adota medidas após a abolição que explicam o quadro enfrentado hoje: determina a queima dos arquivos da escravidão e patrocina a vinda para cá de uma massa imensa de imigrantes europeus, na sua maioria, italianos e alemães, aos quais foram oferecidas passagens, custos de viagem e terras, colónias agrícolas. Estima-se que, de 1.890 até 1.920, cerca de 4,5 milhões de imigrantes europeus foram trazidos para o país com a ajuda do Estado brasileiro. Não por acaso, a única região do país, maioritariamente branca é a região sul, colonizada por imigrantes alemães e italianos, principalmente, cuja vinda foi patrocinada pelo Estado brasileiro. Enquanto isso, os milhões de ex-escravos e seus descendentes que de uma forma dolorosa, desumana, foram decisivos na construção do Brasil acabaram simplesmente ignorados pelas elites racistas.Como é o racismo brasileiro comparado com outros lugares como por exemplo os EUA?


Que razões se tornou um activista social contra o racismo?


D. V. - Aqui temos uma modalidade sofisticada de um racismo que se camufla e não se assume, diferentemente do que acontece nos Estados Unidos. Segundo estudos do sociólogo brasileiro Oraci Nogueira, a característica predominante do racismo brasileiro é de ser um racismo de marca, único, em contraposição ao preconceito de origem existente definido pela “regra de uma gota“, por exemplo, nos EUA. Ou seja: no Brasil, os traços distintivos que tornam alguém mais vulnerável ao racismo são a cor e os cabelos. Quanto mais negra for, quanto mais encaracolados os cabelos, mais distante estará do universo do homem branco, aquele de acesso aos direitos da cidadania.Isso acontece porque, ao contrário das políticas de segregação aplicadas nos EUA e na África do Sul, predominaram as políticas de branqueamento, caracterizadas pela tentativa de extinção da população negra pela via do branqueamento, da miscigenação racial, o que fez com que a maior parte do contingente dos 51,3% de negros que hoje constituem a maioria da população brasileira hoje se auto-declarem pardos, classificação dada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) as pessoas com menor teor de melanina.A adoção do mito/mentira da democracia racial, introduzida em obras como Casa Grande e Senzala, do sociólogo Gilberto Freyre, foi fundamental para que se consolidasse a ideologia de que no Brasil não existe uma questão racial a ser enfrentada pelo Estado.


Oque você acha da tão notória obsessão da sociedade brasileira para com a imagem da pessoa branca, de preferência loira e de olhos azuis?


D.V. - Os valores na sociedade brasileira são eurocêntricos, precisamente pelas políticas adotadas pela elite racista para branquear o país no final dos séculos XIX, até a metade do século XX, como mencionei anteriormente. O modelo e o padrão de beleza, portanto, sintetizada pelo branco, loiro de olhos azuis, é o modelo eurocêntrico, ainda vigente. Por isso que a maior parte das atrizes, modelos e apresentadoras que ocupam espaço na televisão e na moda são loiras, olhos azuis. O modelo é eurocêntrico, quando a maioria da população é negra, e portanto, tem outros modelos de beleza, tem outros valores.


Como os negros são mostrados na média brasileira e como, geralmente, a populacão branca, os olha?


D.V. - Quando aparecem na média os negros são, invariavelmente, mostrados através de estereótipos. É o jogador de futebol, é a mulher negra (mulata) no carnaval, são os atores e atrizes negras em papéis secundários ou marginais nas telenovelas. São raras as imagens dos poucos negros bem sucedidos, executivos, ou bem situados em posições de mando e comando, nas universidades, na academia. Temos observando alguns tímidos avanços mas os mesmos ainda estão a anos-luz de reflectir o perfil multiétnico e multirracial da sociedade brasileira.A população branca brasileira foi criada e formada sob o mito da democracia racial. Em geral, não enxerga o problema do racismo e da herança maldita da escravidão porque isso não a afeta, não constitui barreira à sua ascenção nas empresas, no mercado de trabalho e na vida social. Então, pode-se dizer que não nos vê. E, quando o faz, nos vê como símbolos, alegorias ou elementos folclóricos e não como pessoas normais, seres humanos iguais, com os problemas normais de qualquer ser humano, portadores de direitos e de deveres como qualquer cidadão brasileiro. Essa visão é absorvida pelas instituições ao praticarem o racismo institucional. Quando alguns partidos políticos, por exemplo, absorvem alguns poucos negros nas suas chapas de candidatos, fazem-no apenas para projetarem uma imagem de inclusão que, na prática, se negam a reconhecer.


A.C. - Qual o impacto que esse olhar tem na auto-estima e na auto-imagem do negro?


D. V. – Tem um impacto profundamente negativo porque a criança não tem referências estéticas de sucesso e cresce sem essas referências. Desde pequena na escola não tem em quem se referenciar, não tem ídolos a quem imitar nas várias áreas de atividade, a não ser no futebol. Mesmo no domínio do futebol a presença negra ainda está muito restrita aos gramados, isso porque não se tem cartolas, dirigentes negros no topo, nem nos clubes nem na Confederação Brasileira de Futebol. E estamos falando de um país que tem um negro como um dos maiores, se não o maior, futebolistas de sempre em todo mundo. Mas nem por isso se vê um negro como técnico ou comentarista de futebol. Raramente.Como a comunidade afro-brasileira vem lutando ao longo dos tempos contra o racismo?


D. V. - A luta contra o racismo no Brasil é antiga e começou desde o dia em que o primeiro negro trazido escravizado da África pisou essas terras. Passou por muitas etapas, muitas fases, desde o Quilombo dos Palmares, que chegou a se constituir numa República livre, na região da Serra da Barriga, onde está localizado o Estado de Alagoas. O Quilombo dos Palmares, liderado por Zumbi, considerado herói nacional, é todavia pouco conhecido nas escolas. A saga de Zumbi foi a mais longa e mais tenaz resistência a escravidão negra nas Américas no período colonial durando de 1.605 a 1.695, ou seja, quase 100 anos.Fugir das fazendas e da escravidão para se refugiarem em Quilombos foi historicamente a forma encontrada pelos negros escravizados durante séculos de opressão. Tanto que no Brasil existem mais de 4 mil comunidades quilombolas remanescentes. Hoje luta-se hoje pela titulação dessas terras pelo Governo Brasileiro, a partir de direitos reconhecidos pela Constituição de 80.Mas, as formas de resistências foram várias, das coletivas às individuais, inclusive com muitos negros escravizados, recorrendo ao suicídio ou ao assassinato de seus senhores.No pós-abolição a luta da população negra foi preservar a sua identidade diante das políticas de branqueamento adotadas pelas elites dominantes como mencionei. Na década de 30, surge a Frente Negra Brasileira, e um pouco antes nas décadas de 10 e 20 do século passado, a Imprensa Negra teve um papel extremamente importante para evitar o extermínio da identidade negra pela via da miscigenação, ou seja, pela via do branqueamento.No período mais recente, a partir de 1.978, surge o Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial com uma agenda mais reivindicativa, mais vocal, na luta pela conscientização da igualdade racial.Qual é a sua opinião a respeito do actual movimento negro brasileiro? Até que ponto você está engajado em suas atividades e quão comprometido e unido está o movimento para lutar contra a iniquidade racial?


D.V.- O movimento negro hoje está totalmente disperso em um número enorme de entidades, sem um programa, com lideranças atomizadas e na sua maioria abrigadas e submetidas às agendas dos Partidos e dos Governos. Essa dispersão do movimento negro apenas beneficia aprofunda a desigualdade racial em que vivemos e aqueles que negam a existência do racismo no Brasil. Esse é um quadro que temos de reverter.Mas independentemente de qualquer entidade ligada ao movimento negro mas dentro da sua dinamica temos em Sao Paulo o projecto ABC Sem Racismo, uma OnG fundada para dar corpo a Afropress, o nosso projecto jornalistico criado com o objetivo de dar visibilidade mediática a temática da luta contra o racismo e pela defesa da igualdade racial. Temos tambem em carteira a críação de uma escola de linguas estrangeiras e computação como forma de inclusão no mercado de trabalho de jovens negros e pobres da periferia de São Paulo que de outra forma difícilmente seriam incluidos. Esse projecto educacional e ganha maior pertinência numa altura em que o Brasil se prepara para organizar dois dos maiores eventos esportivos mundiais como são a copa de 2014 e as olimpiadas de 2016.Como advogado, tenho atuado nos casos de racismo de maior repercussão no país, como os casos Carrefour, Extra, Banco do Brasil e agora do Walmart, que levantam a cortina de silêncio sobre a permanência de práticas e hábitos medievais nas relações de consumo no Brasil. Justo o Brasil que tem um dos Códigos de Defesa do Consumidor mais avançados do mundo. E essa situação afeta diretamente a população negra, desde sempre considerada a suspeita-padrão.Com que apoios conta para realizar esse ambicioso, louvável e pertinente projecto educativo?


D.V. - Infelizmente, apesar de algumas diligências, ainda não obtivemos os apoios necessários para a sua realização. Estamos por isso abertos a dialogar com individuos, empresas e instituições, publicas ou privadas, nacionais ou estrangeiras que se interessem, possam e queiram nos apoiar nesse ambicioso projecto.


O que você diria ter sido seu grande sucesso até agora na sua luta? Você acha que está fazendo alguma diferença?


D. V. - Temos actuado em duas frentes que coincidem com minhas atividades profissionais, na condição de jornalista e de advogado. Como jornalista temos o projecto Afropress que tem como objectivo dar visibilidade a temática da luta contra o racismo e a defesa da igualdade racial. Conseguimos amplificar as nossas vozes e tornar públicas questões que a grande média vinha constantemente ignorando. O exemplo maior disso é a violência de seguranças privados nos supermercados e lojas de grandes redes do comércio varejista, que tem tido grande repercussão na média a partir das denúncias veiculadas por Afropress.Acho que temos conseguido fazer um bom trabalho também como advogado activo na defesa de pessoas que são vítimas da discriminação racial como já mencionei.Tem algum caso de racismo que o tenha chocado mais?Todos as manifestações de racismo sao chocantes. Mas um caso muito chocante em que actuei como advogado é o do vigilante da USP (Universidade de São Paulo) Januário Alves de Santana que, em agosto de 2009, foi tomado por suspeito do roubo do seu próprio carro – um Ford EcoSport – levado a um quartinho e torturado por cerca de 30 minutos para que confessasse o roubo do que lhe pertencia, enquanto a família fazia compras. Nesse caso, além de ter conduzido uma negociação bem sucedida, que resultou em acordo extrajudicial de indenização em bases satisfatórias, conseguimos com que a Polícia de S. Paulo, pela primeira vez no Brasil, enquadrasse por crime de Tortura motivado por discriminação racial, todos os seguranças envolvidos.Por tudo isso me considero um vitorioso e acho que estamos fazendo a diferença. Creio que cada um de nós, independentemente da tonalidade epidérmica, pode fazer a diferença na medida em que actue de forma corajosa, decidida, qualificada e comprometida para erradicar o racismo da sociedade brasileira.Na sua opinião a batalha contra o racismo no Brasil está sendo ganha?


D. V.- A luta contra o racismo no Brasil se torna muito mais difícil porque se confunde com a grande luta por transformações sociais profundas na sociedade. O Brasil, apesar de já ser hoje a sétima economia do mundo, tem uma sociedade profundamente desigual. Estamos entre os 10 países mais desiguais do Planeta e os dois elementos estruturantes dessa desigualdade são a discriminação racial e de gênero, que atinge as mulheres que, apesar de serem a maioria, têm dificuldades similares aos negros no acesso ao mercado de trabalho e no acesso aos postos de mando e comando. Nesse particular as mulheres negras são triplamente discriminadas por serem mulheres, negras e pobres.Considero que nos últimos anos a luta contra o racismo no Brasil tem avançado, por conta das acções de todos os que tem esse compromisso. Claro que temos muito a fazer, o caminho é longo e provavelmente a minha geração não verá os frutos dessa luta. Porém, ela é irreversível. No Brasil só se poderá falar em democracia com D grande no dia em que a inclusão da população negra for efectivamente incluída no acesso aos direitos básicos da cidadania. Mas diria que estamos avançando e, sem dúvida, ganharemos essa batalha. Viver num mundo sem racismo, sem exploração e com igualdade é a utopia que alimenta toda a nossa luta. Estamos dando os passos que nos cabem e essa luta será assumida e vencida pelas gerações futuras.


Como você avalia o governo do ex-presidente Lula na luta contra a desigualdade racial?


D.V. - O Governo do ex-presidente Lula fez alguma coisa. Por exemplo, a criação de órgãos como a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), ligada à Presidência da República, foi uma louvável tentativa de inflexão politica e institucional no tratamento da temática racial pelo Estado. Na educação, por pressão do movimento negro, apoiou algumas politicas de ações afirmativas nas universidades publicas e implementou a Lei 10.639, que inclui no curriculo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da tematica “Historia e Cultura Afro-Brasileira”. Porém, não fez o suficiente.O Estado brasileiro, ainda reluta em colocar o combate ao racismo – como elemento estruturante da desigualdade racial, em sua agenda prioritária. Não achamos que se deva continuar tratando o problema como um problema lateral, marginal.


O enfrentamento da herança do período da escravidão é um problema central no Brasil e é o que explica a desigualdade que persiste no país.O que você espera do novo governo da senhora Dilma Rousseff?


D.V. - Esperamos que faça o que não fez o seu antecessor: colocar o tema da desigualdade racial no topo da agenda política nacional e adotar medidas efetivas no sentido de fazer o país avançar para a inclusão da maioria da população que é negra e pobre. O mito/mentira da democracia racial, continua sendo a forma como o Estado brasileiro vem tratando essa questão do combate ao racismo.Por exemplo, na recente visita do Presidente Barack Obama, em todos os eventos de que participou, não se viu negros como se pode verificar nas imagens difundidas, com excepcao da visita que sua esposa Michele e familia fizeram a uma escola de samba! A julgar pelas imagens mostradas em todos os compromissos oficiais de que participou pode-se concluir que não há negros no Brasil, ou que somos uma minoria folclórica e insignificante. Isso dá uma idéia de como opera o racismo brasileiro: insiste em nos jogar na invisibilidade e na subalternidade.Qualquer observador atento nota que tão difundida é a percepção de que o Brasil é um paraíso de igualdade e harmonia racial que se torna quase impossível uma discussão séria e profunda sobre o racismo, o grande demónio que paira sobre a sociedade brasileira. Uma sociedade onde as evidências mostram que a cor da pele é um importante fator de garantia de um passaporte para o sucesso. Quanto mais clara, maiores as chances de inclusão e mobilidade social. Se o governo estiver inequivocamente interessado em reverter esse quadro, tem necessariamente de o colocar no topo de sua agenda.Aonde você acha que esta luta o levará pessoalmente? Tem ambições politicas maiores para lá do seu activismo social?D.V. - O Brasil que queremos é um Brasil com inclusão, igualdade e justiça. Para que isso aconteça é fundamental que a população negra, que corresponde a maioria da população brasileira (51,3%), seja incluída aos direitos básicos da cidadania, que há séculos nos são negados. Essa é a meta.Em relação ao papel que tenho nesse processo de luta por transformações de fundo no Brasil, espero poder exercer com a dedicação que tenho exercido as duas funções para as quais me preparei a vida toda: o jornalismo e a advocacia, ambos, com compromisso ético com a mudança.Como jornalista, por meio da Afropress, tenho absoluta clareza a respeito do papel que a comunicação social cumpre. Ao longo dos cinco anos (vamos fazer seis anos de operação ininterrupta, em junho deste ano), a Afropress tornou-se uma referência de mídia étnica e comprometida com a superação da cultura discriminatória e racista. Sou hoje um formador de opinião, respeitado e ouvido por muita gente no Brasil inteiro. E essa conquista se deve ao trabalho sério, voluntário e comprometido que temos desempenhado; a qualidade do jornalismo que estamos fazendo.Quero continuar como advogado, me colocando à serviço daqueles que até há pouco silenciavam diante das humilhações e das violências sofridas.Qual é o seu próximo passo em termos dessa luta, o que falta fazer?D.V. - Lutar pela união de um movimento negro brasileiro, independente de partidos, autônomo em relação ao estado, capaz de construir uma pauta de reivindicações e demandas que coloquem esse tema como prioridade na agenda do estado brasileiro, com a centralidade que precisa ter e não de forma marginal e simbólica, como vem sendo tratado por todos os governos.O que acontecerá se você e o chamado Movimento Negro não vencerem esta batalha?D.V. - O Brasil continuará sendo esse país que, por um lado, é a 7ª economia do mundo, capaz de produzir aviões modernos, de ser o maior exportador de carne bovina do mundo, de ter um parque industrial e tecnológico altamente desenvolvido mas, por outro, convivendo com a pobreza extrema que atinge a maioria da população que é negra. Não se mudará a realidade que impede o país de se tornar um país verdadeiramente moderno. Só se pode falar em modernidade, quando as taxas de crescimento econômico se traduzem em igualdade social, o que não vem efetivamente ocorrendo, apesar dos avanços nos últimos anos. As políticas sociais que tem carácter assistencialista, não resolvem o problema. É preciso ter políticas que incluam a população negra. O racismo e a cultura discriminatória herdada do período da escravidão vem impedindo isso.Que importancia tem para os afro-brasileiros a sua herança africana?D. V. - Ela diz respeito a identidade da maioria da população brasileira. O povo brasileiro é fruto da população indígena que aqui habitava quando chegaram os colonizadores europeus (portugueses) em 1.500, dos negros escravizados, e da população de origem européia que chegou primeiro com os colonizadores, e posteriormente na massa de imigrantes que vieram substituir o trabalho escravo. Não se pode pensar no Brasil, sem a presença negra, e a presença negra tem suas origens e sua herança cultural na África. Daí a necessidade de valorizar e celebrar a nossa herança africana como factor enriquecedor da nossa brasilianidade.Você tem contacto com organizações africanas e de outros lugares?D.V. - Na verdade, ainda são muito incipientes os nossos contactos, precisamos ampliá-los não só com a África, mas com a Europa, Estados Unidos e todos os continentes, porque é fundamental que toda a Diáspora afrodescendente se mantenha em sintonia na luta por igualdade e justiça.O que você gosta de fazer fora de seu engajamento sócio-politico e profissional?D.V. - Gosto muito de viajar e espero ter tempo para poder conhecer outros países. No ano passado estive na Espanha e em Portugal e espero retornar um dia para conhecer outros países da Europa. Estive nos EUA, em maio de 2010, e espero conhecer mais esse país, assim como o resto do mundo, particularmente a África. Para além de viajar, gosto de estar e conversar com amigos, de ir ao cinema com minha mulher e meus filhos sempre que possível. Tenho três filhos, do primeiro casamento, todos adultos. O Dojival Filho, que já tem 30 anos e é jornalista; o Bruno, que é funcionário público e estudante de Direito (será advogado como eu) e já tem 27 anos; e o Yúri, que é estudante de medicina e tem 19 anos.Sua esposa, Dolores, também é uma jornalista e activista sócio-politica. Quão importante é o papel dela na sua luta?Minha mulher tem uma grande consciência da luta por Justiça e Igualdade e tem sido uma parceira fundamental. Sem o suporte que me dá, tanto em casa, quanto em atividades das quais participamos conjuntamente, o trabalho que fazemos seria muito mais difícil.De que tipo de música você gosta?D. V. - Gosto de todo tipo de música, da música clássica ao Rock and Roll. Na minha juventude fui muito influenciado musicalmente pelas grandes bandas de Rock, como Led Zepellin, Deep Purple, The Rolling Stones, Pink Floyd, além de cantores como Bob Dilan e outros. Como brasileiro, gosto de MPB (Música Popular Brasileira) e de cantores como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Chico Buarque, Djavan e outros.Na música africana gosto de Cesária Évora e Habib Koité, entre outros. No mundo da música cubana sou fã de Silvio Rodrigues e de Pablo Milanes e gosto muito de Los Orisha, um grupo de hip-hop. No universo da música latina, em geral, gosto de Mercedes Sosa, Atahualpa Yupank, Victor Jara, grandes vozes infelizmente ja desaparecidas do mundo musical.Finalmente, o que você quer que o mundo saiba sobre o racismo no Brasil?D.V. - Quero que o mundo saiba que no Brasil se pratica a modalidade mais covarde, mais perversa, e mais letal de racismo no Planeta: uma modalidade velada, sublime, silenciosa e hipocritamente cordial, que não se assume jamais, mas nem por isso menos letal que o racismo segregacionista que se praticou em países como Estados Unidos e África do Sul.


ALBERTO CASTRO é Jornalista freelencer residente em Londres graduado em Historia e Politca pela SOAS (School of Oriental and African Studies), Universidade de Londres. Ele é colaborador Internacional do Zwela Angola.


Eu concordo com Kabengele Munanga, um africano que conhece bema nossa realidade e classifica o racismo brasileiro de crime perfeito.E penso que apesar de existirem muitos direitos ainda a serem conquistadas, Os negros no Brasil continuam escravizados. Ganham menos, trabalham mais, morrem mais cedo, frequentam escolas ruim, acesso à saude é precária, moram nas periferias com dificuldades, tem duas vezes mais chances de serem assassinados vamos acessar http://www.laeser.ie.ufrj.br/ , este endereço demonstra como vivem os negros no Brasil

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Homenagem a Zumbi dos Palmares

Kizomba, Festa da Raça

Valeu Zumbi
O grito forte dos Palmares
Que correu terras céus e mares
Influenciando a Abolição
Zumbi valeu
Hoje a Vila é Kizomba
É batuque, canto e dança
Jogo e Maracatu
Vem menininha pra dançar o Caxambu
Vem menininha pra dançar o Caxambu
Ô ô nega mina
Anastácia não se deixou escravizar
Ô ô Clementina
O pagode é o partido popular
Sarcedote ergue a taça
Convocando toda a massa
Nesse evento que com graça
Gente de todas as raças
Numa mesma emoção
Esta Kizomba é nossa constituição
Esta Kizomba é nossa constituição
Que magia
Reza ageum e Orixá
Tem a força da Cultura
Tem a arte e a bravura
E um bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais
E a beleza pura dos seus rituais
Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o Apartheid se destrua
Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o Apartheid se destrua
Valeu
Valeu Zumbi

Composição: Rodolpho / Jonas / Luís Carlos da Vila

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Agenda da semana

O TEATRO GLÊNIO PERES
estará apresentando 2 filmes
na 27ª SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Nesta quarta-feira, dia 16 de novembro às 20hs,
filme 'O FILHO DE AXÉ' - de Aline Torres
ao final, debate com o Babalorixá Pedro de Oxum

Na sexta-feira, dia 18 de novembro às 20hs
filme: "A Tradição do Bará do Mercado"
ao final, debate com Mãe Norinha de Oxalá
haverá sorteio de Livros e DVD's do filme

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Zumbi dos Palmares e a resistência negra

Objetivos
Identificar a vida e a luta de Zumbi dos Palmares; entender a organização dos quilombos e a situação dos negros foragidos; analisar a importância da figura de Zumbi na luta pela liberdade e sua atual ressignificação, como símbolo da consciência negra e luta contra o racismo.


Conteúdos
Brasil colônia; Escravidão e luta pela liberdade; Dia da Consciência Negra

Anos
7º, 8º e 9º


Tempo estimado
Quatro aulas

Material Necessário:
- Mapa da África;

- Filme Amistad (EUA, 1997) dirigido por Steven Spielberg

-Manuscrito de planta do quilombo de São Gonçalo-RJ (disponível aqui);

-Planta do quilombo Buraco do Tatu-BA (disponível aqui );

- Constituição da República Federativa do Brasil (Art. 216, § 5º; Art. 68; Art. 5º, XLII) e a lei 10.639/2003.

Desenvolvimento

1ª Aula
Inicie a aula com uma exposição sobre a utilização do trabalho escravo no Brasil, as condições e a realização do tráfico negreiro, identificando as principais regiões da África de onde os escravos foram trazidos.

Destaque que os acordos feitos entre traficantes europeus e autoridades nativas africanas, garantiam a troca de produtos como aguardente, tabaco e armas por escravos. Através da utilização de um mapa, demonstre aos alunos as principais regiões fornecedoras de escravos, como Congo, Senegal, Angola e Moçambique, destacando a diversidade cultural entre as diversas comunidades e reinos nativos.

Essa diversidade pode ser exemplificada, por exemplo, através da diferenciação das culturas, jeje, banto e ioruba, que tiveram grande presença no Brasil. Nesta etapa, você poderá usar cenas do filme Amistad, do diretor Steven Spielberg, que trata do tráfico de escravos.



2ª Aula
Inicie a aula com uma apresentação sobre trabalho escravo no período colonial: Explique quais eram as atividades desenvolvidas pelos escravos; em que condições elas eram realizadas, como era a alimentação e a moradia dos escravizados; a violência a que eles estavam submetidos. Questione os alunos sobre como eles acreditam que os escravos reagiam perante a situação em que viviam.

A partir das respostas e dos elementos que os alunos apresentarem, demonstre que a reação sobre o cativeiro foi diversa, indo desde a aceitação e obediência para garantir um melhor tratamento, até ações mais violentas como ataques aos senhores e feitores, destruição de plantações, suicídios, assim como as fugas individuais ou coletivas.

Conte que, para conseguir sobreviver, os escravos fugidos escondiam-se geralmente em locais isolados, no meio das matas, posteriormente fortificados e cercados, denominados de quilombos. Exiba aos alunos imagens de "plantas" de quilombos. Duas imagens que estão disponíveis na internet: Quilombo Buraco do Tatu, em Itapuã-BA, do século 18 e do Quilombo de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, do século 19.

As imagens servirão como ponto de partida para explicar o funcionamento das comunidades quilombolas, a organização, a existência de lideranças, assim como a produção de alimentos, criação de animais e a elaboração de ferramentas e objetos de cerâmica, por exemplo. Deve-se destacar que em alguns casos, eles faziam comércio com povoados que ficavam nas redondezas do quilombo, como foi o caso de Palmares.

3ª Aula
Nesta aula, apresente aos alunos a especificidade do Quilombo de Palmares, a sua existência durante quase todo o século 17, que chegou a ter, de acordo com informações oficiais da época, cerca de 20 mil habitantes. Acredita-se que este número tenha sido inflado, para justificar a necessidade de uma ação militar. Mesmo assim, Palmares resistiu a vários ataques e representou durante décadas um grande incômodo às autoridades portuguesas e aos senhores de engenho.

Fale sobre os líderes de Palmares. Destaque como primeiro líder em Palmares Ganga Zumba, que, pressionado pelos ataques que Palmares vinha sofrendo, tenta acertar um acordo de paz com as autoridades coloniais, gerando a insatisfação entre os palmarinos, que acabaram lhe assassinando e instituindo Zumbi como o novo líder.

Peça que os alunos se organizem em duplas. Solicite que busquem informações sobre Zumbi, sua história, sua luta e seu trágico fim. Disponibilize textos e livros para que eles realizem a pesquisa em sala, ou peça que visitem uma biblioteca para encontrar o material necessário. O professor pode também levar os alunos a uma sala de informática e orientar a pesquisa pela internet. Peça que os alunos elaborem um pequeno relatório sobre Zumbi.

4ª Aula
Como sequência da pesquisa iniciada na etapa anterior, questione os alunos sobre Zumbi. Inicie, com base nestas informações, um debate acerca deste personagem e a importância de sua luta pela liberdade. Nesse ponto, faça uma relação entre passado e presente, traçando um paralelo entre este personagem e sua relação direta, como símbolo dos movimentos sociais e da luta dos negros contra a discriminação e o preconceito na atualidade. Destaque para os alunos as comemorações do dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro, data da morte de Zumbi.

Oriente os alunos que façam uma pesquisa sobre os artigos da Constituição Brasileira que tratam dos Quilombos e seus remanescentes (Art. 216, § 5º; Art. 68), sobre o racismo (Art. 5º, XLII) e a Lei 10.639/2003 que trata do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e da inserção do dia 20 de novembro no calendário escolar.

Discuta o conteúdo das Leis com os alunos e peça que respondam de forma livre as seguintes questões: A luta de Zumbi e a resistência do quilombo dos Palmares têm algum significado para luta dos negros hoje em dia? O que as leis brasileiras nos dizem sobre a luta dos negros no passado e na atualidade?

Avaliação
Avalie o comprometimento dos alunos ao responderem os questionamentos e na elaboração das pesquisas e relatórios; avalie se os alunos compreenderam a resistência e luta travada pelos escravizados através dos quilombos e de personagens como Zumbi dos Palmares e o significado que esse passado de lutas assume para as lutas atuais do negro em nossa sociedade.

Revista Nova Escola

Meninas negras







sábado, 12 de novembro de 2011

historia do Brasil

PROCLAMAÇÃO DA REPUBLICA

15 DE NOVEMBRO DE 1889

Concidadãos!

O Povo, o Exército e a Armada Nacional, em perfeita comunhão de sentimentos com os nossos concidadãos residentes nas províncias, acabam de decretar a deposição da dinastia imperial e conseqüentemente a extinção do sistema monárquico representativo.

Como resultado imediato desta revolução nacional, de caráter essencialmente patriótico, acaba de ser instituído um Govêrno Provisório, cuja principal missão é garantir com a ordem pública a liberdade e o direito do cidadão.

Para comporem êste Govêrno, enquanto a Nação Soberana, pelos seus orgãos competentes, não proceder a escolha do Govêrno definitivo, foram nomeados pelo Chefe do Poder Executivo os cidadãos abaixo assinados.


Concidadãos!

O Govêrno Provisório, simples agente temporário da soberania nacional, é o Govêrno da paz, da fraternidade e da ordem.

No uso das atribuições e faculdades extraordinárias de que se acha investido, para a defesa da integridade da Pátria e da ordem pública, o Govêrno Provisório, por todos os meios ao seu alcance, promete e garante a todos os habitantes do Brasil, nacionais e estrangeiros, a segurança da vida e da propriedade, o respeito aos direitos individuais e políticos, salvas, quanto a êstes, as limitações exigidas pelo bem da Pátria e pela legítima defesa do Govêrno proclamada pelo Povo, pelo Exército e pela Armada Nacional.

Concidadãos!

As funções da justiça ordinária, bem como as funções da administração civil e militar, continuarão a ser exercidas pelos órgãos até aqui existentes, com relação às pessoas, respeitadas as vantagens e os direitos adquiridos por cada funcionário.

Fica, porém, abolida, desde já a vitaliciedade do Senado e bem assim o Conselho do Estado.

Fica dissolvida a Câmara dos Deputados.

Concidadãos!

O Govêrno Provisório reconhece e acata os compromissos nacionais contraídos durante o regime anterior, os tratados subsistentes com as potências estrangeira, a dívida pública externa e interna, contratos vigentes e mais obrigações legalmente estatuídas.

Marechal Manoel Deodoro da Fonseca, Chefe do Govêrno Provisório.


Aristides da Silveira Lôbo, Ministro do Interior.
Tenente-Coronel Benjamin Constant Botelho de Magalhães, Ministro da Guerra..
Chefe de Esquadra Eduardo Wandenkolk, Ministro da Marinha.
Quintino Bocaiúva, Ministro das Relações Exteriores e Interinamente da Agricultura, Comércio de Obras Públicas.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

"Poemas de Ingoma"

Lucas Carrasco*
1.
No tempo dos avós dos seus avós
tinha outras diversões pra meninada
Os negros que vieram dos escravos
criaram o Batuque de Umbigada
Um tambú, um quinjengue e uma matraca
repicam a quizomba no terreiro
O cantador de modas contra-ataca
e risca um verso à dor do batuqueiro
Tietê, Capivari, Piracicaba
Rio Claro, Itu, Campinas, Sorocaba
Por pouco esse Batuque não acaba...
Com fé em são Benedito, o pé no chão
Pra não perder o ritmo, a tradição
Batuca no repique o coração
2.
O rosário é o seguinte, viu, meu filho?
Senta junto da preta que eu te explico
Faz de conta que os dedos são o bico
da galinha ciscando atrás de milho
Junta um depois o outro e forma o trilho
do caminho pra reza a Benedito
3.
Seja bem-vindo à nossa brincadeira
A batucada aqui é bem modesta
O ritual começa na fogueira
O tambor é o senhor de toda a festa
4.
Os zóio do menino enxerga o fogo
Aprende dos segredos do tambor
Viaja pelo mar pra Angola e Congo
Na ponta da flecha de caçador
O povo se junta em volta da roda
Atiça a fogueira da tradição
Chega o menino e ouve tudo as moda
E canta e bate palma e treme o chão
Menino Dito chama para a luta
O povo se levanta pra dançá
São Benedito benze essa disputa
E o Batuque renasce no congá ___________________________________________
(*) Lucas Carrasco trabalha com projetos editoriais. Como autor, ganhou em 2006 o prêmio PAC,
da Sec. de Estado Cultura SP, com o livro infantil "Pindá, a Menina-Abelha - Realejos do Mar",
sobre cultura caiçara. Como editor, participou do songbook "PretoBrás", livro de partituras do
músico Itamar Assumpção, premiado pela APCA em 2007.

Vamos




Sou filha de oxum

Sou filha de oxum

Vamos cuidar do nosso planeta

Vamos cuidar do nosso planeta