sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Homenagem a Zumbi dos Palmares

Kizomba, Festa da Raça

Valeu Zumbi
O grito forte dos Palmares
Que correu terras céus e mares
Influenciando a Abolição
Zumbi valeu
Hoje a Vila é Kizomba
É batuque, canto e dança
Jogo e Maracatu
Vem menininha pra dançar o Caxambu
Vem menininha pra dançar o Caxambu
Ô ô nega mina
Anastácia não se deixou escravizar
Ô ô Clementina
O pagode é o partido popular
Sarcedote ergue a taça
Convocando toda a massa
Nesse evento que com graça
Gente de todas as raças
Numa mesma emoção
Esta Kizomba é nossa constituição
Esta Kizomba é nossa constituição
Que magia
Reza ageum e Orixá
Tem a força da Cultura
Tem a arte e a bravura
E um bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais
E a beleza pura dos seus rituais
Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o Apartheid se destrua
Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o Apartheid se destrua
Valeu
Valeu Zumbi

Composição: Rodolpho / Jonas / Luís Carlos da Vila

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Agenda da semana

O TEATRO GLÊNIO PERES
estará apresentando 2 filmes
na 27ª SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Nesta quarta-feira, dia 16 de novembro às 20hs,
filme 'O FILHO DE AXÉ' - de Aline Torres
ao final, debate com o Babalorixá Pedro de Oxum

Na sexta-feira, dia 18 de novembro às 20hs
filme: "A Tradição do Bará do Mercado"
ao final, debate com Mãe Norinha de Oxalá
haverá sorteio de Livros e DVD's do filme

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Zumbi dos Palmares e a resistência negra

Objetivos
Identificar a vida e a luta de Zumbi dos Palmares; entender a organização dos quilombos e a situação dos negros foragidos; analisar a importância da figura de Zumbi na luta pela liberdade e sua atual ressignificação, como símbolo da consciência negra e luta contra o racismo.


Conteúdos
Brasil colônia; Escravidão e luta pela liberdade; Dia da Consciência Negra

Anos
7º, 8º e 9º


Tempo estimado
Quatro aulas

Material Necessário:
- Mapa da África;

- Filme Amistad (EUA, 1997) dirigido por Steven Spielberg

-Manuscrito de planta do quilombo de São Gonçalo-RJ (disponível aqui);

-Planta do quilombo Buraco do Tatu-BA (disponível aqui );

- Constituição da República Federativa do Brasil (Art. 216, § 5º; Art. 68; Art. 5º, XLII) e a lei 10.639/2003.

Desenvolvimento

1ª Aula
Inicie a aula com uma exposição sobre a utilização do trabalho escravo no Brasil, as condições e a realização do tráfico negreiro, identificando as principais regiões da África de onde os escravos foram trazidos.

Destaque que os acordos feitos entre traficantes europeus e autoridades nativas africanas, garantiam a troca de produtos como aguardente, tabaco e armas por escravos. Através da utilização de um mapa, demonstre aos alunos as principais regiões fornecedoras de escravos, como Congo, Senegal, Angola e Moçambique, destacando a diversidade cultural entre as diversas comunidades e reinos nativos.

Essa diversidade pode ser exemplificada, por exemplo, através da diferenciação das culturas, jeje, banto e ioruba, que tiveram grande presença no Brasil. Nesta etapa, você poderá usar cenas do filme Amistad, do diretor Steven Spielberg, que trata do tráfico de escravos.



2ª Aula
Inicie a aula com uma apresentação sobre trabalho escravo no período colonial: Explique quais eram as atividades desenvolvidas pelos escravos; em que condições elas eram realizadas, como era a alimentação e a moradia dos escravizados; a violência a que eles estavam submetidos. Questione os alunos sobre como eles acreditam que os escravos reagiam perante a situação em que viviam.

A partir das respostas e dos elementos que os alunos apresentarem, demonstre que a reação sobre o cativeiro foi diversa, indo desde a aceitação e obediência para garantir um melhor tratamento, até ações mais violentas como ataques aos senhores e feitores, destruição de plantações, suicídios, assim como as fugas individuais ou coletivas.

Conte que, para conseguir sobreviver, os escravos fugidos escondiam-se geralmente em locais isolados, no meio das matas, posteriormente fortificados e cercados, denominados de quilombos. Exiba aos alunos imagens de "plantas" de quilombos. Duas imagens que estão disponíveis na internet: Quilombo Buraco do Tatu, em Itapuã-BA, do século 18 e do Quilombo de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, do século 19.

As imagens servirão como ponto de partida para explicar o funcionamento das comunidades quilombolas, a organização, a existência de lideranças, assim como a produção de alimentos, criação de animais e a elaboração de ferramentas e objetos de cerâmica, por exemplo. Deve-se destacar que em alguns casos, eles faziam comércio com povoados que ficavam nas redondezas do quilombo, como foi o caso de Palmares.

3ª Aula
Nesta aula, apresente aos alunos a especificidade do Quilombo de Palmares, a sua existência durante quase todo o século 17, que chegou a ter, de acordo com informações oficiais da época, cerca de 20 mil habitantes. Acredita-se que este número tenha sido inflado, para justificar a necessidade de uma ação militar. Mesmo assim, Palmares resistiu a vários ataques e representou durante décadas um grande incômodo às autoridades portuguesas e aos senhores de engenho.

Fale sobre os líderes de Palmares. Destaque como primeiro líder em Palmares Ganga Zumba, que, pressionado pelos ataques que Palmares vinha sofrendo, tenta acertar um acordo de paz com as autoridades coloniais, gerando a insatisfação entre os palmarinos, que acabaram lhe assassinando e instituindo Zumbi como o novo líder.

Peça que os alunos se organizem em duplas. Solicite que busquem informações sobre Zumbi, sua história, sua luta e seu trágico fim. Disponibilize textos e livros para que eles realizem a pesquisa em sala, ou peça que visitem uma biblioteca para encontrar o material necessário. O professor pode também levar os alunos a uma sala de informática e orientar a pesquisa pela internet. Peça que os alunos elaborem um pequeno relatório sobre Zumbi.

4ª Aula
Como sequência da pesquisa iniciada na etapa anterior, questione os alunos sobre Zumbi. Inicie, com base nestas informações, um debate acerca deste personagem e a importância de sua luta pela liberdade. Nesse ponto, faça uma relação entre passado e presente, traçando um paralelo entre este personagem e sua relação direta, como símbolo dos movimentos sociais e da luta dos negros contra a discriminação e o preconceito na atualidade. Destaque para os alunos as comemorações do dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro, data da morte de Zumbi.

Oriente os alunos que façam uma pesquisa sobre os artigos da Constituição Brasileira que tratam dos Quilombos e seus remanescentes (Art. 216, § 5º; Art. 68), sobre o racismo (Art. 5º, XLII) e a Lei 10.639/2003 que trata do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e da inserção do dia 20 de novembro no calendário escolar.

Discuta o conteúdo das Leis com os alunos e peça que respondam de forma livre as seguintes questões: A luta de Zumbi e a resistência do quilombo dos Palmares têm algum significado para luta dos negros hoje em dia? O que as leis brasileiras nos dizem sobre a luta dos negros no passado e na atualidade?

Avaliação
Avalie o comprometimento dos alunos ao responderem os questionamentos e na elaboração das pesquisas e relatórios; avalie se os alunos compreenderam a resistência e luta travada pelos escravizados através dos quilombos e de personagens como Zumbi dos Palmares e o significado que esse passado de lutas assume para as lutas atuais do negro em nossa sociedade.

Revista Nova Escola

Meninas negras







sábado, 12 de novembro de 2011

historia do Brasil

PROCLAMAÇÃO DA REPUBLICA

15 DE NOVEMBRO DE 1889

Concidadãos!

O Povo, o Exército e a Armada Nacional, em perfeita comunhão de sentimentos com os nossos concidadãos residentes nas províncias, acabam de decretar a deposição da dinastia imperial e conseqüentemente a extinção do sistema monárquico representativo.

Como resultado imediato desta revolução nacional, de caráter essencialmente patriótico, acaba de ser instituído um Govêrno Provisório, cuja principal missão é garantir com a ordem pública a liberdade e o direito do cidadão.

Para comporem êste Govêrno, enquanto a Nação Soberana, pelos seus orgãos competentes, não proceder a escolha do Govêrno definitivo, foram nomeados pelo Chefe do Poder Executivo os cidadãos abaixo assinados.


Concidadãos!

O Govêrno Provisório, simples agente temporário da soberania nacional, é o Govêrno da paz, da fraternidade e da ordem.

No uso das atribuições e faculdades extraordinárias de que se acha investido, para a defesa da integridade da Pátria e da ordem pública, o Govêrno Provisório, por todos os meios ao seu alcance, promete e garante a todos os habitantes do Brasil, nacionais e estrangeiros, a segurança da vida e da propriedade, o respeito aos direitos individuais e políticos, salvas, quanto a êstes, as limitações exigidas pelo bem da Pátria e pela legítima defesa do Govêrno proclamada pelo Povo, pelo Exército e pela Armada Nacional.

Concidadãos!

As funções da justiça ordinária, bem como as funções da administração civil e militar, continuarão a ser exercidas pelos órgãos até aqui existentes, com relação às pessoas, respeitadas as vantagens e os direitos adquiridos por cada funcionário.

Fica, porém, abolida, desde já a vitaliciedade do Senado e bem assim o Conselho do Estado.

Fica dissolvida a Câmara dos Deputados.

Concidadãos!

O Govêrno Provisório reconhece e acata os compromissos nacionais contraídos durante o regime anterior, os tratados subsistentes com as potências estrangeira, a dívida pública externa e interna, contratos vigentes e mais obrigações legalmente estatuídas.

Marechal Manoel Deodoro da Fonseca, Chefe do Govêrno Provisório.


Aristides da Silveira Lôbo, Ministro do Interior.
Tenente-Coronel Benjamin Constant Botelho de Magalhães, Ministro da Guerra..
Chefe de Esquadra Eduardo Wandenkolk, Ministro da Marinha.
Quintino Bocaiúva, Ministro das Relações Exteriores e Interinamente da Agricultura, Comércio de Obras Públicas.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

"Poemas de Ingoma"

Lucas Carrasco*
1.
No tempo dos avós dos seus avós
tinha outras diversões pra meninada
Os negros que vieram dos escravos
criaram o Batuque de Umbigada
Um tambú, um quinjengue e uma matraca
repicam a quizomba no terreiro
O cantador de modas contra-ataca
e risca um verso à dor do batuqueiro
Tietê, Capivari, Piracicaba
Rio Claro, Itu, Campinas, Sorocaba
Por pouco esse Batuque não acaba...
Com fé em são Benedito, o pé no chão
Pra não perder o ritmo, a tradição
Batuca no repique o coração
2.
O rosário é o seguinte, viu, meu filho?
Senta junto da preta que eu te explico
Faz de conta que os dedos são o bico
da galinha ciscando atrás de milho
Junta um depois o outro e forma o trilho
do caminho pra reza a Benedito
3.
Seja bem-vindo à nossa brincadeira
A batucada aqui é bem modesta
O ritual começa na fogueira
O tambor é o senhor de toda a festa
4.
Os zóio do menino enxerga o fogo
Aprende dos segredos do tambor
Viaja pelo mar pra Angola e Congo
Na ponta da flecha de caçador
O povo se junta em volta da roda
Atiça a fogueira da tradição
Chega o menino e ouve tudo as moda
E canta e bate palma e treme o chão
Menino Dito chama para a luta
O povo se levanta pra dançá
São Benedito benze essa disputa
E o Batuque renasce no congá ___________________________________________
(*) Lucas Carrasco trabalha com projetos editoriais. Como autor, ganhou em 2006 o prêmio PAC,
da Sec. de Estado Cultura SP, com o livro infantil "Pindá, a Menina-Abelha - Realejos do Mar",
sobre cultura caiçara. Como editor, participou do songbook "PretoBrás", livro de partituras do
músico Itamar Assumpção, premiado pela APCA em 2007.

domingo, 9 de outubro de 2011

Vamos aprender um pouquinho de mubundo

Meses do ano/Olosãi vi ulima
Cada mês corresponde a um fato regional.
Susu – janeiro: (de susulûha, tirar parte do que havia). Época em
que se conta com o armazenado, e não com os produtos do
campo, que ainda não estão maduros.
Kayovo – fevereiro: (pequeno salvador). O feijão dos altos e
milho das baixas vêm mitigar a fome.
Elombo – março: Época com muita lama das chuvas, e também
mês em que se iniciam as colheitas.
Kupupu – abril: (de pupula, bater) Mês em que se “bate o feijão”
colhido em março.
Kupemba – maio: (de okupemba, espirrar) Despedidas das
chuvas.
Kavambi – junho: (de ombambi, frio) mês em que se começa o
frio.
Vambi inene – julho: mês de muito frio, podendo ocorrer geada
pela manhã.
Kanhenhe – agosto: em quinze de agosto, o anúncio das chuvas
e o começo da primavera.
Nhenhe-vava – setembro: mês de chuviscos e calor forte.
Mbala-vipembe – outubro: dor dos campos baldios, preparação
das sementeiras.
Kuvala kuapupulu – novembro: (de Okuvala, doer e Kuapupulu,
mosquito) mês em que o número de mosquitos aumentam devido
a umidade.
Cemba-nima – dezembro: nega-se a recompensa: com as
chuvas e o calor o capim dos campos atrofiam; Não se vê o
resultado do trabalho no campo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ginga, a Rainha Quilombola de Matamba e Angola


Nzinga Mbandi Ngola, rainha de Matamba e Angola nos séculos XVI-XVII (1587-1663), foi uma das mulheres e heroínas africanas cuja memória mais tem desafiado o processo diluidor da amnésia, dando origem a um imaginário cultural na diáspora tal como no folclore brasileiro com o nome de Ginga; despertou o interesse dos iluministas como a criação de um romance inspirado nos seus feitos (Castilhon, 1769) e citação na Histoire Universelle (1765); é cultuada como a heroína angolana das primeiras resistências pelos modernos movimentos nacionalistas de Angola; e tem despertado um crescente interesse dos historiadores e antropólogos para a compreensão daquele momento histórico que caracterizou a destreza política e de armas desta rainha africana na resisência à ocupação dos portugueses do território angolano e conseqüente tráfico de escravos.

Contemporânea de Zumbi dos Palmares, este outro herói afro-brasileiro (?-1695), ambos parecem compartilhar de um tempo e de um espaço comum de resistência: o quilombo.

Ao refletirmos sobre a rainha Nzinga Mbandi Ngola pensamos contribuir para a compreensão da inserção dos espaços políticos africanos na economia mercantil européia e das resistências criadas à sua dominação.

Um grande número de reinos africanos da costa ocidental e central do continente possuía uma concepção de organização político-espacial semelhante. Suas economias, antes da presença européia, estabeleciam-se em função de uma relação complementar com os espaços do hinterland através de comércio a longa distância. Desse modo, o poder centralizador desses reinos situava-se não no litoral mas no interior, com o fim de melhor controlar as rotas comerciais. Normalmente o litoral constituía-se como espaço de produção de sal, peixe seco ou outros produtos necessários ao interior.

Quilombo Etípiope Ocidental, gravura de 1732

As transformações que emergem no seio dessas sociedades, em termos do poder político, surgem por interveniências de elementos exógenos, neste caso, os traficantes europeus, e identificam-se na deslocação do poder político de linhagens detentoras tradicionais desse poder para linhagens "novas". Estamos pensando no contato sucessivo que os chefes tradicionais do litoral entabulavam com os navegantes que procuravam estabelecer um comércio efetivo com os povos da costa ocidental africana.

Esta dualidade do poder espacial podemos encontrar no reino do Dahomey (K. Polanyi, 1966), no Loango, (Philippe Rey, 1971), no Ngoyo (Serrano, 1983), no Congo (Pirenne, 1959). Em todos eles o tráfico de mercadorias e escravos era tributado e controlado por representantes do poder central.

Os traficantes portugueses tentam estabelecer portos de tráfico no litoral angolano para a comercialização e captura direta de escravos no litoral. Em 1578, Paulo Dias de Novais funda a cidade fortificada de São Paulo de Assumpção de Luanda que se tornará a futura capital de Angola em território mbundu. Era rei dos mbundus no território ndongo (Angola) e Matamba, Ngola Kiluanji, pai de Nzinga Mbandi Ngola, que nasce em Cabassa, interior de Matamba, em 1581.

Ngola Kiluanji resiste à ocupação portuguesa até a sua morte. No entanto, uma parte do território é tomada, constituindo o primeiro espaço colonial na região. O rei Kiluanji refugia-se em Cabassa, no interior de Matamba, e consegue reter o avanço dos portugueses. Após a morte de Kiluanji sucede seu filho Ngola Mbandi, meio irmão de Nzinga.

Os portugueses há algum tempo traficando com os jagas do litoral, guerreiros vindos do leste, também conhecidos por imbangalas, estão agora impedidos de fazê-lo, pois a rota para o interior é controlada pelo Ngola Mbandi. Este envia sua irmã Nzinga a Luanda para negociar com os portugueses. Recebida em Luanda com grande pompa pelo governador geral ela negocia sem ceder algum território e pede a devolução de territórios que obtém pela sua conversão política ao cristianismo, recebendo o nome de Dona Anna de Sousa. Mais tarde suas irmãs Cambi e Fungi também se convertem, passando a se chamar Dona Bárbara e Dona Garcia respectivamente.

Os portugueses, no desejo de estabelecerem o comércio com o jaga de Cassanje no interior, não respeitam o tratado de paz. A rebelião de alguns sobas (chefes), que se aliam ao jaga de Cassange e aos portugueses, cria uma situação de desordem no reino de Ngola.

Nzinga, ao encontrar um dos sobas, seu tio, que se dirigia a Luanda para se submeter aos portugueses, manda decapitá-lo, e dando conta da hesitação de seu irmão manda envenená-lo abrindo assim caminho ao poder e ao comando da resistência à ocupação das terras de Ngola e Matamba.
Os portugueses elegem um chefe mbundu, Aiidi Kiluanji (Kiluanji II), como novo Ngola das terras do Ndongo.

Nzinga, não conseguindo a paz com os portugueses em troca de seu reconhecimento como rainha de Matamba, renega a fé católica e se alia aos guerreiros jagas de Oeste se fazendo iniciar nos ritos da máquina de guerra que constituía o quilombo.

O quilombo e o rito de passagem

Máscara que representa o espírito de uma
defunta, em Punu, Gabão

Para melhor compreender este rito de iniciação deste grupo guerreiro, os jagas, será melhor dar a palavra a uma testemunha ocular da época, que a descreve com minúcias:

"A cerimônia de receber os meninos no quilombo pratica-se ainda hoje com solenidade, e eu, que a presenciei muitas vezes, posso descrevê-la exatamente.

Quando o chefe do quilombo, que é ordinariamente o comandante militar, quer conceder este privilégio, determina o dia da função. No intervalo de tempo precedente à data, os pais, que são sempre numerosos, suplicam insistentemente a concessão desta graça, persuadidos de que seus filhinhos, antes da admissão, são abominados pela autora da lei, e só depois de purificados serão benzidos por ela. O dia é de grande festa, com o concurso de muitos homens armados e enfeitados o melhor possível. Aparecem na praça em boa ordem e com muito decoro os cofres em que se conservam os ossos de algumas pessoas principais e que são guardados nas suas casas por pessoas qualificadas. Depois aparecem os cofres com os ossos dos antigos chefes do quilombo e de seus parentes. Todos são colocados sobre montões de terra, na presença do povo, rodeados por guardas e por uma multidão de tocadores e de dançadores, que festejam e honram os ossos daqueles falecidos. Por fim chega o comandante com a sua favorita, chamada tembanza, ou 'senhora da casa', ambos festejados pela música e pela comitiva dos seus familiares. Ambos untam os seus corpos e as suas armas e se sentam, ela à esquerda e ele à direita dos ditos cofres. Então, todos os presentes, divididos em grupos, fingem uma batalha, acometendo-se furiosamente. Acabada a batalha e as danças, que são bastante demoradas, até todos perderem o fôlego, saem, de algumas moitas predispostas, as mães que nelas estavam escondidas, com os meninos, e, mostrando-se muito preocupadas, com mil gestos vão ao encontro dos maridos, indicando-lhes o lugar em que cada menino está escondido. Então eles correm para lá com os arcos flechados e, descobrindo a criatura, tocam levemente nela com a seta, para demonstrar que não a consideram como filho, mas como preso de guerra, e que, portanto, a lei não fica violada. Depois, usando uma perna de galinha (nunca pude descobrir a razão disso), untam a criança com aquele ungüento no peito, nos lombos e no braço direito. Dessa maneira, os pequenos são julgados e purificados e podem ser introduzidos pelas mães no quilombo na noite seguinte" (Cavazzi, p. 182).

A versão que nos chega dos ritos antropofágicos dos jagas parece prender-se a uma falsa tradução da palavra que significaria retirá-las das famílias (linhagens) e não "comê-las" (Miller,1976).

Tal como a instituição das classes de idade, o quilombo é o que se denomina cross-cutting institutions' pois cortava transversalmente as estruturas de linhagem e estabelecia uma nova centralidade de poder, baseada sobretudo na máquina de guerra necessária para fazer guerra aos prováveis inimigos (Miller, p. 27).

Esse era um processo de recrutamento militar necessário a Nzinga para fazer face aos valores particularistas da estrutura de parentesco, ou pelo menos colocar uma inserção mínima (Balandier, 1969:78).

Em 1640, a rainha Nzinga e seus guerreiros atacam o forte Massangano, onde suas duas irmãs, Cambu e Fungi, são aprisionadas, sendo esta última executada. Aproveitando a ocupação temporária de Luanda pelos holandeses, recupera alguns territórios de Ngola com a adesão de alguns sobas (chefes). Salvador Correia de Sá y Benevides, general brasileiro, restaura a soberania portuguesa em Luanda e tenta restabelecer seu poder no interior.

Numa incursão do exército de Nzinga são aprisionados dois capuchinhos que a rainha aproveita para convencê-los de sua vontade de reconversão em troca do reconhecimento de sua soberania nos reinos de Ngola e Matamba e da libertação de sua irmã Cambu. O governador geral aceita libertar Cambu se Nzinga retificar um tratado limitando suas reivindicações a Matamba e renunciando aos territórios de Ngola, sendo o rio Lucala escolhido como fronteira. Este tratado, de 1656, só vai ser posto em prática depois da ameaça da rainha voltar à guerra. Só assim o governo de Luanda libera sua irmã Cambu, mesmo assim depois do pagamento de um resgate de mais de uma centena de escravos. Cambu tinha ficado retida em Luanda por cerca de dez anos.

Há uma paz relativa no reino de Matamba até a sua morte aos 82 anos em 17 de dezembro de 1663. Sucede a Nzinga sua irmã Cambu, continuadora da memória de sua irmã, a rainha quilombola de Matamba e Angola.

A resistência de Nzinga à ocupação colonial e ao tráfico de escravos no seu reino por cerca de quarenta anos, usando de várias táticas e estratégias que vão desde a conversão ao cristianismo até as práticas jagas, é fonte para a criação de um imaginário que se impôs como símbolo de luta contra a opressão. Memória de Ginga, memória de Zumbi.

*CARLOS M. H. SERRANO, Nascido em Cabinda - Angola, é Professor de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. É vice-diretor do Centro de Estudos Africanos da USP, Autor dos livros "Os Senhores da Terra e os Homens do Mar"; "A Revolta dos Colonizados" (paradidático, com o prof. Kabengele Munanga); "Brava Gente do Timor" (com o prof. Maurício Waldman); e "Angola: Nasce Uma Nação"...

À memória de Beatriz do Nascimento, estudiosa dos quilombos e quilombola também.

BIBLIOGRAFIA

BALANDIER, Georges. Antropologia Política. São Paulo, Difusão Européia do Livro, 1969.
BIRMINGHAM, David. A Conquista Portuguesa de Angola. Lisboa, A Regra de Jogo, 1974.
CASTILHON, J.-L. Zingha, Reine D'Angola. Histoire Africaine. Bourges, Ganymede, 1993.
CAVAZZI, Pe. João Antonio (de Montecúccolo). Descrição Histórica dosTrês Reinos Congo, Matamba e Angola (1687). Lisboa, Edição da Junta de Investigações do Ultramar, 1965, 2 volumes.
MILLER, Joseph C. "Nzinga of Matamba in a New Perspective", in Journal of African History, XVI 2 (1975), pp. 201-16.
---. Kings and Kinsmen, Early Mbundu States in Angola. Oxford, Clarendon Press,1976.
SERRANO, Carlos. "História e Antropologia na Pesquisa do mesmo Espaço: a Afro-América", in África: Revista do Centro de Estudos Africanos da USP, 5, 1982, pp. 124-8.
---. Os Senhores da Terra e os Homens do Mar: Antropologia Política de um Reino Africano. FFLCH-USP, 1983.
SOROMENHO, Castro. "Portrait: Jinga, Reine de Ngola et de Matamba", in Presence Africaine, 3e. trimestre 1962, pp. 47-53.

Nem todas as crianças do mundo têm seus direitos respeitados. Veja qual é a regra e quanta coisa triste acontece, que não vale







O que vale e o que não vale


A regra
Toda criança tem direito à vida.

Isto não vale
A cada ano, nascem, no mundo todo, 135 milhões de crianças. Mas quase 10 milhões morrem antes de completar 5 anos de idade. Isso é o mesmo que toda a população da cidade de São Paulo, juntando adultos e crianças.

A regra
Para viver, toda criança precisa comer bem.

Isto não vale
Metade das mortes de crianças com menos de 5 anos é provocada ou agravada pela subnutrição. Isso significa que 5 milhões de crianças morrem a cada ano de fome ou porque não se alimentam direito e acabam ficando doentes. Esse número equivale a duas vezes toda a gente que mora no Distrito Federal.

A regra
Toda criança deve crescer com saúde.

Isto não vale
Algumas das doenças que mais matam crianças são a pneumonia, a malária e a aids. A cada ano, 530 mil crianças contraem o HIV, vírus que provoca a aids. São mais de cinco estádios do Maracanã lotados de torcedores. Só nos países que ficam ao sul do deserto do Saara, na África, 2 milhões de crianças com menos de 14 anos vivem com HIV.

A regra
Toda criança deve crescer num ambiente limpo e saudável.

Isto não vale
Muitas famílias bebem água contaminada e moram em casas sem rede de esgoto. Nos países em desenvolvimento, uma a cada cinco pessoas não tem água limpa e apenas metade da população tem esgoto.

A regra
Toda criança deve ser protegida da violência e da crueldade.

Isto não vale
A violência contra a criança não acontece apenas nas regiões que estão em guerra. Crianças do mundo todo sofrem também com a violência dentro de casa. Em vários países pobres da África e em alguns da Ásia, nove a cada dez crianças com idade entre 2 e 14 anos apanham, recebem castigos cruéis ou são torturadas pelos pais.

A regra
Toda criança precisa ter uma escola para estudar.

Isto não vale
Algumas crianças não vão à escola. Outras começam a estudar, mas logo são tiradas da escola para trabalhar e ajudar em casa. No mundo todo, duas a cada dez crianças que deveriam estar nos primeiros anos de estudo estão fora da escola.

A regra
Toda criança deve brincar. Nenhuma deve trabalhar.

Isto não vale
Nos países mais pobres, quase um terço das crianças trabalha como gente grande, para ajudar a família. Com isso, elas não vão à escola ou não têm tempo de brincar. E brincar é fundamental.
Fonte: Situação Mundial da Infância 2008, UNICEF

Volta à página com detalhes sobre os direitos da criança no mundo Mais informações sobre os direitos da criança no mundo.

Fonte Unicef kids

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Hino do Rio Grande do Sul

Composição: Francisco Pinto da Fontoura / Joaquim José de Mendanha

Como a aurora precursora
Do farol da divindade
Foi o 20 de Setembro
O precursor da liberdade


Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra


De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra


Mas não basta pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo


Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra


De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra




















A Semana Farroupilha é um evento festivo do estado do Rio Grande do Sul, que se inicia a 14 de setembro a 20 de setembro com desfiles em homenagem a líderes da Revolução Farroupilha. O evento lembra o começo da Revolução Farroupilha, a maior revolução do Brasil que durou 10 anos e tinha como idéia a separação do Rio Grande do Sul do Brasil. Mas ainda hoje ativistas Sulistas tem idéias da separação do estado do Brasil.
O Rio Grande do Sul é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Localizado na Região Sul, possui como limites o estado de Santa Catarina ao norte, o oceano Atlântico ao leste, o Uruguai ao sul, e a Argentina a oeste, sua capital é o município de Porto Alegre.


É o estado mais meridional do país, conta com o quarto maior PIB - superado apenas por São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais -, o quinto mais populoso e o quinto índice de desenvolvimento humano (IDH) mais elevado.


O estado possui papel marcante na história do Brasil, tendo sido palco da Guerra dos Farrapos, a mais longa guerra civil do país. Sua população é em grande parte formada por descendentes de alemães, italianos e poloneses. Em pequena parte por indígenas, portugueses, açorianos, espanhóis, africanos e franceses, dentre outros imigrantes.


Em certas regiões do estado, como a Serra Gaúcha e a região rural da metade sul, ainda é possível ouvir dialetos da língua italiana (talian) e do alemão (Hunsrückisch, Plattdeutsch).


Esse estado brasileiro originalmente teve sua economia baseada na pecuária bovina que se instalou no Sul do Brasil durante o século XVII com as missões jesuíticas na América, e posteriormente expandiu-se aos setores comercial e industrial, especialmente na metade norte do Estado.
Como boa gaucha que sou,vou postar algumas atividades retirados do site "Alfabetizando e Educando com a Turma da Monica" e da Prof. Ananda para trabalhar a semana Farroupilha na sala de aula.

Vamos




Sou filha de oxum

Sou filha de oxum

Vamos cuidar do nosso planeta

Vamos cuidar do nosso planeta